Miles Davis

Miles Davis (1926 - 1991)

Miles Davis efetivamente constitui, sozinho, um capítulo à parte dentro do jazz. Pode-se dizer, sem medo de errar, que ele foi uma verdadeira força propulsora do jazz durante mais de quarenta anos. Seu som ao trompete, puro, macio e quase sem vibrato, emitido freqüentemente com o uso da surdina, e seu fraseado conciso e despojado tornaram-se marcas registradas. Sua personalidade difícil, às vezes contraditória, também. Fundador do cool jazz, do jazz modal, do jazz-rock e da fusion, Miles fez da renovação das linguagens o principal impulso gerador de sua música.

Sua carreira, inciada dentro do bebop, apresentou uma fase brilhante já em 1948-1950, com a formação da célebre Miles Davis-Capitol Orchestra, onde o genial arranjador Gil Evans começou a escrever verdadeiras obras-primas que davam todas as condições para a expressividade de Miles. A colaboração Miles-Evans continuou ao longo dos anos 50. Os arranjos de Evans não têm paralelo em nenhuma big band: trata-se de peças impressionistas, com estruturas elaboradas, texturas timbrísticas sofisticadas, revelando influências variadas que incluíam, por exemplo, a música espanhola.

Paralelamente ao trabalho com Gil Evans, Miles dava, a partir de 1949, os contornos ao nascente estilo cool, eminentemente apropriado à sua maneira intimista de tocar, gravando as sessões intituladas Birth of the Cool.

De 1956 em diante, Miles lidera um quinteto / sexteto que, através de suas várias formações, entraria para a história do jazz. Para se ter uma idéia dos talentos envolvidos, inicialmente o quinteto contava com o saxofonista John Coltrane, o pianista Red Garland, o contrabaixista Paul Chambers e o baterista Philly Joe Jones; esta formação gravou a série de discos intitulados Relaxin', Workin', Steamin' e Cookin'. Com a entrada do sax alto Cannonball Adderley, o conjunto se tranformou no sexteto que gravou Milestones. Em 1959 Red Garland foi substituído por Bill Evans e Wynton Kelly, que se revezavam ao piano, e Jones cedeu o lugar a Jimmy Cobb, no sexteto que gravou um dos discos mais cult do jazz de todos os tempos, Kind of Blue. Com esse grupo, Miles começou a explorar o jazz modal, usando combinações harmônicas mais livres do que a harmonia tonal tradicional, e improvisando mais sobre os acordes do que sobre a melodia do tema. Em 1960-1961, houve pequenas mudanças, mas a base era mantida: ora Cannonball Adderley cedia o lugar a Sonny Stitt ou Hank Mobley, ora Jones voltava a assumir a bateria; o grupo também podia se reduzir a um quinteto, com apenas Coltrane ao tenor.

Paralelamente ao trabalho com quinteto e sexteto, Miles retoma a colaboração com Gil Evans e grava (respectivamente, em 1958 e 1960) duas obras-primas absolutas com orquestra: Porgy and Bess e e Sketches of Spain.


Em 1964 surgiu uma formação inteiramente nova do sexteto, com George Coleman ao sax tenor, Herbie Hancock ao piano, Ron Carter ao contrabaixo e o brilhante adolescente Tony Williams à bateria. (Hancock, Carter e Williams ocasionalmente foram substituídos, respectivamente, por Frank Butler, Richard Davis e Victor Feldman). Em 1965 a chegada do talentoso saxtenorista e compositor Wayne Shorter dá consistência ainda maior ao grupo. Ao lado de Shorter, Hancock, Carter e Williams, Miles grava discos como E.S.P., Miles Smiles, Sorcerer, Nefertiti e são recolhidos notáveis registros de shows ao vivo no Plugged Nickel Club de Chicago (hoje restaurados em sua totalidade, constituindo aquilo que Richard Cook e Brian Morton denominaram "a Pedra de Roseta do jazz moderno").


Acima: Miles com Herbie Hancock ao piano, Ron Carter ao contrabaixo e Tony Williams à bateria

Foto: Bass Player Junho/98

No final dos anos 60, Miles se encaminha para mais uma renovação estética, começando a fazer experiências com a fusão entre jazz e rock. Nessa fase, fica novamente em evidência uma faceta de Miles que já havia se manifestado com o quinteto dos anos 50: o descobridor de talentos. Para formar seus conjuntos de jazz-rock, Miles convoca os tecladistas Herbie Hancock, Chick Corea e Joe Zawinul, os bateristas Tony Williams e Jack DeJohnette, os contrabaixistas Dave Holland e Ron Carter, o guitarrista John McLaughlin, o saxofonista Wayne Shorter, o organista Larry Young, entre outros. O jazz-rock, do qual Miles estava se aproximando gradativamente com os discos In a Silent Way e Filles de Kilimanjaro, nasce efetivamente com o revolucionário (e ainda hoje moderno) álbum duplo de 1969, Bitches Brew.


Com Live/Evil, de 1970, e alguns outros discos até 1972, encerra-se uma fase na carreira de Miles e tem início outra, ainda mais controversa que a de Bitches Brew. Durante os anos 70 e 80, Miles continua realizando experiências com a integração de linguagens, renovando completamente seus conjuntos com músicos pouco conhecidos, afastando-se do jazz (mesmo do jazz-rock) e aproximando-se do funk até do hip-hop. Mas, como se trata de Miles, nem por isso tal fusão se torna trivial ou comercial. Embora as opiniões se dividam acerca das obras desse período, o som de Miles continua inconfundível, e sua poderosa mente musical continua claramente no controle.

Em 28 de setembro de 1991 o trompete de Miles silencia. Sua obra - vasta, multifacetada, evolutiva, desbravadora, ora hermética, ora lírica - irá certamente fornecer material para análise e motivo de puro deslumbramento para muitas gerações.

(V.A. Bezerra, 2001)


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Louis Armstrong

Louis Armstrong (1901-1971)

Louis Armstrong é, sem dúvida, o músico de jazz mais conhecido do público em todo o mundo. Foi chamado de "a personificação do jazz". Seu retrato e sua voz são inconfundíveis, até para quem não é aficionado do jazz.
Nascido em Storyville, o distrito de New Orleans famoso por seu ambiente, digamos, diversificado, que incluía de bordéis até igrejas, passando por espeluncas diversas, Louis Daniel Armstrong passou a infância mergulhado em grande pobreza. Seu pai abandonou a família asssim que Louis nasceu. Dividindo seu tempo entre a liberdade das ruas e o trabalho para ajudar a família, o pequeno Louis tornou-se uma criança extremamente esperta e adaptada à vida difícil. Conseguiu comprar uma corneta e, sozinho, começou a aprender a tocá-la. Também cantava com um grupo pelas ruas para ganhar uns trocados a mais. Na noite do ano novo de 1912, por brincadeira, atirou para o alto com um revólver, e por isso foi enviado a um reformatório, onde passaria um ano e meio. Curiosamente, foi essa temporada no reformatório que o fez ter um contato intensivo com a música, tocando bugle e corneta na banda da instituição. Ali também começou a aprender harmonia. De volta à liberdade, fez diversos bicos para se sustentar, e aproveitava cada oportunidade para emprestar uma corneta e tocar onde fosse possível, dentre as inúmeras bandas que pululavam por New Orleans - uma música que, no entanto, ainda não era o jazz.

A extraordinária musicalidade inata de Armstrong, somada à disciplina técnica que havia adquirido na banda do reformatório, capacitaram-no a tocar num estilo pessoal, incisivo e virtuosístico que ultrapassava o estilo reinante em New Orleans naquele tempo. Por volta de 1917, Joe “King” Oliver, percebendo o talento do jovem, tomou Armstrong sob sua proteção, e quando foi para Chicago em 1918, recomendou Armstrong para substituí-lo na banda de Kid Ory. Louis tocou com a banda de Fate Marable entre 1919 e 1921, e em 1922 foi para Chicago para se juntar novamente a Oliver. Em 1924 casou-se com Lillian Hardin, a pianista do conjunto de Oliver (a segunda de suas quatro esposas). Por incentivo de Lil, Louis deixou Oliver e entrou para a orquestra de Fletcher Henderson em Nova Iorque, com quem ficaria pouco mais de um ano.

A estréia de Armstrong como líder se deu em 12 de novembro de 1925. Nos anos seguintes, Armstrong gravaria muito, com os Hot Five de 1925-1926, os Hot Seven de 1927 e os Hot Five de 1928 - os melhores (com seis integrantes), com Earl Hines ao piano. Toda essa série de gravações é absolutamente antológica, e ocupa um lugar central na história do jazz. Nelas, o gênio de Armstrong se revela em sua plenitude. Durante esse período, Armstrong também trabalhou com inúmeras orquestras. Foi por essa época que ele trocou definitivamente a corneta pelo trompete. A partir de 1929, Armstrong deixa os conjuntos pequenos e passa dezenove anos trabalhando apenas à frente de grandes orquestras, sempre como estrela absoluta. Em 1932 e 1933 fez suas primeiras turnês pela Europa. Em 1938 Louis e Lilian se divorciam e ele se casa com Alpha Smith. Em 1942 casa-se com Lucille Wilson, que seria sua esposa até o fim da vida. Nos anos 40, especialmente com o declínio do swing no pós-guerra, a música de Armstrong começou a ser considerada pelo público como um tanto fora de moda. Em 1948 forma o Louis Armstrong and His All Stars, um sexteto de grandes músicos, nos moldes do seu segundo Hot Five, agora com a participação do ex-clarinetista de Duke Ellington, Barney Bigard, o notável trombonista Jack Teagarden, o baixista Arvel Shaw, o grande baterista Sid Catlett, e o mestre Earl Hines ao piano. Esse conjunto se revela o contexto ideal para a arte de Armstrong, e com ele faz turnês por todo o mundo. No entanto, com o passar do tempo, ocorreram sucessivas mudanças no pessoal dos All Stars, o padrão musical caiu sensivelmente, e a música se tornou mais previsível.

Nos anos 50 e 60, Armstrong se tornou uma celebridade sem paralelo no mundo da música popular, graças não só às suas turnês e gravações, mas também, às suas participações em filmes. Apesar de ter sofrido um ataque cardíaco em 1959, continuou ativo e realizando turnês. Enfrentou algumas críticas por parte dos ativistas negros norte-americanos, pelo fato de não militar mais ativamente no movimento dos direitos civis. Porém é preciso lembrar que, naquela época, Louis já se aproximava dos 60 anos de idade, e pertencia a uma geração diferente daquela que estava assumindo a linha de frente dos protestos e da militância no final dos anos 50 e ao longo dos anos 60. Armstrong trabalhou até os seus últimos dias, e morreu dormindo em sua casa, em Nova Iorque, em 6 de julho de 1971.

Numa avaliação objetiva, no plano musical, toda a fama de Armstrong, de proporções quase mitológicas, é plenamente merecida. Ele efetivamente redefiniu o jazz, e foi o seu primeiro grande virtuose. Em primeiro lugar, Armstrong expandiu os limites de seu instrumento, ampliando a extensão do trompete até notas consideradas inacessíveis aos executantes anteriores, de tão agudas. Seu som é límpido e quente, com um vibrato absolutamente regular nos finais de frases, como poucos na história do jazz. Seu fraseado é admiravelmente focalizado e, acima de tudo, inventivo: Armstrong inicia e termina suas frases em pontos que nunca são óbvios. Sua improvisação nos depara uma imaginação que parece inesgotável. A influência de Armstrong pode ter sido mais direta ou indireta, dependendo das épocas e dos estilos em voga, porém nunca desapareceu completamente; está presente em todo o jazz. A maioria dos trompetistas que vieram depois de Armstrong têm alguma dívida para com ele.

Com o passar dos anos, Louis começou a cantar cada vez mais, às vezes até mais do que tocar, e foi principalmente essa imagem que ficou gravada no inconsciente coletivo - a de cantor e entertainer, mais do que trompetista. Alguns críticos consideram a propensão cada vez maior de Armstrong para cantar como um sinal claro de declínio ou acomodação no plano musical. Porém é preciso entender o canto de Armstrong como sendo mais uma faceta de seu talento, que já se manifestava em algum grau desde os anos 20. Com uma voz singular e sem paralelo na história da música - embora se tenha freqüentemente tentado imitá-la - Armstrong era um grande cantor. O timbre rouco e grave teria sido considerado esdrúxulo em qualquer outro contexto, porém para o jazz se mostrava um instrumento admirável. A entonação aparentemente “preguiçosa” escondia um timing perfeito e um senso rítmico impecável, que dava a cada frase o recorte perfeito. Uma outra característica única da voz de Armstrong era a maneira pela qual ele mantinha o vibrato mesmo nas consoantes finais das palavras (“ar-r-r-r-r”, “is-z-z-z-z”, etc). Finalmente, deve-se destacar que ele era um cantor imensamente expressivo, que valorizava cada verso da letra na medida exata.

Acima de tudo, Armstrong demonstrou, ao longo de toda a carreira, possuir uma personalidade generosa, em termos tanto humanos como musicais.

Veja especial sobre centésimo aniversário de nascimento de Louis Armstrong.

(V.A. Bezerra, 2001)

Fonte:http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=53



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Dizzy Gillespie

Dizzy Gillespie (1917-1993)
Dizzy Gillespie é um dos mentores do bebop, um dos criadores da linguagem do trompete jazzístico moderno, e um verdadeiro embaixador da música. Os únicos trompetistas que se equiparam a Dizzy, em termos de importância musical e histórica, são Louis Armstrong e Miles Davis.
Nascido em Cheraw, Carolina do Sul, John Birks Gillespie experimentou o trombone antes de se decidir aos 12 anos pelo trompete, instrumento com o qual se iniciou profissionalmente aos 14. Tocou em diversas orquestras, na segunda metade dos anos 30 e na no início dos anos 40, como as de Frankie Fairfax, Cab Calloway, Benny Carter, Lionel Hampton, Duke Ellington, Teddy Hill e outros. Dizzy teve como grande modelo o trompetista Roy Eldrige, a quem inclusive substituiu na Teddy Hill Band, em 1937. O jeito irreverente e as brincadeiras que fazia com colegas e mesmo com os próprios regentes lhe valeram não poucas reprimendas e até demissões. Entre 1942 e 1945, Dizzy tocou nas orquestras de Earl Hines e de Billy Eckstine, que consituíram verdadeiros celeiros de talentos do nascente estilo bebop.

Em 1941 Dizzy encontrou Charlie Parker pela primeira vez, quando este tocava na orquestra de Jay McShann. A partir daí, os dois tocaram juntos diversas vezes, com diferentes grupos, sempre gravitando em torno da famosa Rua 52 - eram sem dúvida os maiores astros da cena - e dando contornos definitivos ao bebop. Somente em 1945, porém, Dizzy e Bird finalmente gravariam juntos.

Em 1945 Dizzy opta pelo formato big band. Sua orquestra do período 1946-1950 contou com músicos de peso, como Milt Jackson, John Lewis, Ray Brown e Kenny Clarke (que, juntos, constituiriam a primeira formação do Modern Jazz Quartet), além de Jay Jay Johnson, Yusef Lateef e até John Coltrane. Essa orquestra teve que ser desfeita em 1950 devido a dificuldades econômicas. Mas Dizzy continuou muito ativo, e participou de turnês do Jazz at the Philarmonic. Em 1956 formou novamente uma orquestra, que até 1958 fez turnês patrocinadas pelo Departamento de Estado norte-americano. Nos anos 60, 70 e 80, alternou as big bands com as pequenas formações. Fez numerosíssimas turnês por todo o mundo, tocando com músicos locais sempre que podia. Durante toda a carreira, Dizzy esteve sempre aberto a influências étnicas, como a música cubana, brasileira, africana e do Oriente Médio.

Dizzy Gillespie é um dos maiores virtuoses do trompete (talvez o maior), e trata de explorar essa qualidade em suas apresentações. Seu fraseado é cheio de elementos surpreendentes e saltos vertiginosos, explorando as notas superagudas do instrumento. Sua capacidade criativa como improvisador parece inesgotável. O arrojo, a agressividade e o humor da música de Dizzy podem ser vistas como uma extensão de sua personalidade de showman e entertainer nato. Dizzy também canta e nunca deixou totalmente de lado o seu lado clown, para deleite das platéias de todo o mundo.

(V.A. Bezerra, 2001)
Fonte:http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=49




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Roy Hargrove

Roy Hargrove (1969) Talentoso trompetista, Roy Hargrove apareceu na cena muito jovem, integrando ao lado de Wynton Marsalis, Joshua Redman e outros os chamados, “Young Lions” (jovens leões), sendo ele um dos mais ferozes.
A velocidade e articulação com que toca faz lembrar os velhos trompetistas do bebop, mas também não é só isso que chama à atenção para seu som. Hargrove possui ainda um tom encorpado, cheio de blues, o que o faz um músico versátil seja tocando linhas ensandecidas ou baladas românticas. Influenciado primeiramente pelo gospel ouvido com a família na igreja, começou a tocar cornet aos nove anos antes de integrar a banda de sua escola, estudando o trompete até se formar.

Alguns meses antes de sua formatura, Wynton Marsalis ministrou um workshop na escola onde Roy estudava. Impressionado com o talento do garoto, Marsalis convidou-o tocar com ele, em um festival que acontecia ali mesmo no Texas. A apresentação deu-lhe a aportunidade de conhecer astros como: Bobby Hutcherson, Dizzy Gillespie, Frank Morgan, Freddie Hubbard, Herbie Hancock e outros. No mesmo ano, antes de completar dezoito anos, Roy Hargrove já excursionava pela Europa ao lado de Frank Morgan.

Entre suas maiores influências, Roy Hargrove cita os trompetistas Clifford Brown e Lee Morgan.
Fonte:http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=232


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Wynton Marsalis

Wynton Marsalis (1961)
Indubitavelmente um dos mais ativos músicos de jazz da atualidade, Marsalis pode também ser considerado responsável pelo retorno do jazz ao seu lugar de merecimento. Segundo dos seis filhos de Dolores e Ellis Marsalis, Wynton começou a estudar trompete aos 12 anos em sua cidade natal, Nova Orleans. Na adolescência Wynton tocava em bandas de rua, na orquestra da escola, bandas de rock, funk e onde mais tivesse oportunidade. Quando se graduou no colégio já tinha uma boa bagagem musical e seguiu para Nova Iorque estudar na famosa Juilliard School.
Ainda em seu primeiro ano em Nova Iorque, participa de uma audição com o baterista Art Blakey, que estava então à procura de novos talentos para integrar seu tradicional celeiro de estrelas, os Jazz Messengers. O som limpo, com personalidade, e cheio de novas idéias de Wynton impressiona o baterista, amigo de longa data de seu pai Ellis Marsalis. (Ellis é um pianista e professor em Nova Orleans, muito bem-quisto e respeitado no meio musical, embora pouco conhecido do grande público, uma vez que dedica-se a ensinar mais do que a se apresentar. Uma prova disso é o fato de ter formado em sua casa quatro músicos: Wynton no trompete, Branford no sax, Delfeayo no trombone e Jason na bateria.)
Na mesma época em que entra para os Jazz Messengers, Wynton assina contrato com a gravadora Columbia e excursiona ao lado de Herbie Hancock pelos EUA, Europa e Japão. Ao voltar, grava com o conjunto do pianista e começa a trabalhar em seu primeiro álbum, intitulado simplesmente Wynton Marsalis. O álbum traz Wynton no trompete, acompanhado por seu irmão Branford no sax tenor, Herbie Hancock ao piano, Ron Carter no contrabaixo e Tony Williams na bateria. O disco é totalmente acústico como não se via desde os anos 60, e é um absoluto sucesso. Vende mais de cem mil cópias, o que leva as gravadoras a procurar novos talentos e impulsiona o ressurgimento do jazz, que havia sido praticamente banido pelo rock, funk e fusion na década de 70.
Em 1982, aos vinte anos, Wynton já excursiona com seu próprio quinteto por todos os EUA, tocando em clubes de jazz, festivais e concertos em homenagem a grandes nomes do jazz, como aquele ocorrido em Nova Iorque no mesmo ano, em tributo a Thelonious Monk. Parte para a Europa e Japão, e no mesmo ano volta para Londres para gravar seu primeiro álbum tocando peças clássicas de Haydn, Hummel e Leopold Mozart. Nessa época conheceu o trompetista clássico Maurice André, que não poupou elogios ao jovem músico.
Os anos que se seguiram foram de atividade igualmente intensa, correndo o mundo e apresentando-se em formações jazzísticas e clássicas. Aos vinte e quatro anos torna-se o primeiro músico instrumental a receber dois Grammys simultaneamente - um na categoria jazz e outra na categoria de música clássica, amealhando nos dois casos o prêmio de melhor solista. Recebeu inúmeros outros prêmios e honrarias ao redor do mundo. É um dos fundadores e diretor artístico do Jazz at Lincoln Center, com cuja banda excursiona pelo mundo. Em 1997 Wynton tornou-se o primeiro músico de jazz a receber um prêmio Pulitzer por sua composição Blood on the Fields, inspirada na vida dos escravos norte-americanos. Foi também eleito membro honorário da conservadora England´s Royal Academy of Music.
Fernando Jardim

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Bonfiglio de Oliveira

Bonfiglio de Oliveira, instrumentista e compositor, nasceu em Guaratinguetá (SP) em 27/09/1894, e faleceu no Rio de Janeiro(RJ) em 16/05/1940. Aprendeu as primeiras noções de música com o pai, contrabaixista da Banda Mafra de Guaratinguetá. Durante dois anos tocou bumbo na Banda Beneficente e, depois, estudou com o maestro Acosta, que o levou a integrar, como trompetista, a Banda Mafra. Mais tarde foi convidado pelo diretor do Colégio São José, onde estudava, para reorganizar a banda dos alunos. Compôs então sua primeira música, o dobrado “Padre Frederico Gióia”, dedicada ao diretor.
Continuou os estudos no Colégio São Joaquim, em Lorena (SP), e depois transferiu-se para Piquete (SP)., onde organizou uma banda que se apresentava nas cidades do vale do Paraíba. Numa dessas apresentações, foi ouvido pelo maestro e violinista Lafaiete Silva, que o convidou a ir para o Rio de Janeiro, empregando-o como trompetista na orquestra que dirigia no Cinema Ouvidor. Após concluir de trompete, começou a atuar como trompetista e contrabaixista em diversos teatros e cinemas cariocas, inclusive na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, sob a regência de Francisco Braga.
Em 1917, ao lado de Pixinguinha, participou do Grupo Caxangá. Em 1918, em Guaratinguetá (SP), compôs a valsa Glória, em homenagem a uma jovem por quem se apaixonara. Mais tarde, a música recebeu versos da poetisa Branca M. Coelho e foi gravada por Gastão Formenti na Columbia, em 1931.
Em 1919, participou como compositor e diretor de harmonia do desfile do rancho Ameno Resedá, tornando-se conhecido então como compositor de marchas-rancho. Integrante da Companhia Arruda, atuou em teatros de revistas, excursionando pelo Brasil com diversas orquestras e conjuntos. Viajou ainda pela Itália, França e Espanha e, com a Companhia Jardel Jércolis, apresentou-se em cidades portuguesas.
Na década de 30, como solista e integrante de orquestra de estúdio, atuou no Programa Casé, da Rádio Philips. A 17 de outubro de 1931, gravou na Victor, em solo de trompete o choro “Flamengo”, dedicado ao bairro carioca em que residiu. Também como trompetista, em 1932, passou a atuar com o Grupo da Velha Guarda, continuando no conjunto quando se transformou nos Diabos do Céu.
No carnaval de 1934, obteve grande sucesso com a marchinha Carolina, composta em parceria com Hervé Cordovil. Foi considerado um dos maiores instrumentistas de sopro do seu tempo, ao lado de Pixinguinha e Luís Americano.
Fonte: Enciclopédia da música brasileira - Art Editora.

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Arturo Sandoval

A Night in Tunisia
A La p.p.
Besame Mama
Body And Soul
Brassmen's Holiday
Be bop
Caribeno
Caprichosos De La Habana
Closely Dancing
Cuban American Medley
Candela (yo si como candela)
Drume Negrita
Flight to Freedom
Funky Cha-Cha
Guachi Guaro
Hot House
Ican
I can`t get started
I can´t ges started (instrumental)
Last Time I Saw You
La Guarapachanga
Marianela
Mam-Bop
Medley Para Tito
Martebelona
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Only You (No Se Tu)
Orula
Psalm
Poncho con su Tambor
Rene's Song
Rhythm Of Our World
Royal Poinciana
Samba De Amore
Sandunga
Tito
Tanga
The Latin Trane
Wigwam
Waheera
Ven Morena


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Olivier Treurillat

MP3 - Intrada
Autor: Arthur Honegger (1892-1955)
MP3 - Concerto in E-flat Major: Allegro
MP3 - Concerto in E-flat Major: Andante
MP3 - Concerto in E-flat Major: Allegro
Autor: Henri Tomasi (1901-1971)
MP3 - Variations on a theme from Norma
Autor: Jean-Baptiste Arban (1825-1889)
MP3 - Etude Nº 1, Vivo
Autor: Marcel Bitsch (*1921)

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